Atividades para o “Desenrolando a Língua”

O  livro/CD Desenrolando a língua é um projeto artístico e também didático; ou melhor, paradidático.  As músicas e as ilustrações criam um ambiente e encantam ao mesmo tempo em que ensinam! Escrito de forma sintética,  o livro é acessível às crianças e também ao público que não tem conhecimento acadêmico das letras e das línguas. Assim, nesse pequeno formato, o projeto relançado pela Autêntica Editora traz informações básicas da língua falada no Brasil e possibilita ao leitor desenvolver uma escuta e/ou fala atenta e reflexiva sobre nossa língua.

Mas como aproveitá-lo melhor nas escolas?

Como educadora, sei do trabalho que temos em preparar aulas, que têm de ser dinâmicas e motivadoras, principalmente para as crianças. Por experiência própria, sei o quanto é importante termos conhecimento do que apresentamos em classe, atitudes seguras e, ao mesmo tempo, criativas. Trabalhar com educação sempre nos estimula a criar estratégias didático-pedagógicas e a estar atentos à assimilação e aos resultados no desenvolvimento da criança.

Infelizmente, há uma grande defasagem na formação de professores do ensino fundamental no Brasil.

Refletindo sobre isso, pensei: “por que não sistematizar algumas atividades pedagógicas que me ocorrem para o Desenrolando?”. Com este material do livro/CD, posso  “desenrolar” possibilidades para pessoas que se interessam em trabalhar com ele; propostas do tipo das que me ajudam bastante quando estou estudando e/ou trabalhando. Traduzindo: às vezes é bom receber algo “mastigadinho”, tanto para alunos quanto para professores, porque assim também se podem gerar múltiplas ideias, não?

Desenrolando… um blog com atividades, sugestões e propostas  para se trabalhar com o livro e com o CD. Aqui, passeio com mais tranquilidade por cada “capítulo” do livro e cito fontes e  referências que me ajudaram a escrevê-lo e a compor as canções, com direito a curiosidades, comentários, observações e indicação de links complementares. Podemos considerar o blog também como um making-of ou um backstage do livro.

Direcionado aos professores do ensino fundamental e de música, o blog não apresenta um planejamento para uma idade específica, num processo gradativo. O texto do livro é dirigido, a princípio, à faixa etária de 8 a 10 anos, mas não se restringe a ela, podendo interessar a outras faixas. O CD não tem um limite de idade, apesar de ser idealizado para as crianças. As ideias do blog, no entanto, devem ser avaliadas e selecionadas segundo o nível e a área em que vão ser utilizadas.

Importante: gostaria muito de trocar informações com educadores que o utilizam e que queiram apresentar experiências, questionamentos, dúvidas, ideias e mais ideias!

Novidades:

Em 2012, o “Desenrolando a língua” ficou entre os finalistas do prêmio Jabuti 2012 na categoria didáticos e paradidáticos.

Em outubro de 2013 lançada a versão adaptada em espanhol: “Desenrollando la lengua – Una niña brasileña en España”.

 

 

Então, vamos desenrolar?!

Aqui, uma indicação de um blog sobre a lei  que determina que a música deverá ser conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica e detalhes para sua aplicação nas escolas:
http://mariamachado.blog.com/index.php/2010/06/07/introduzindo-a-musica-na-sala-de-aula/

Agradecimentos especiais a Autêntica Editora, Andreia Moroni, Cecília Cavalieri e Programa MúsicaMinas.

(http://www.ceciliacavalierifranca.com.br e http://www.ceciliacavalierifranca.blogspot.com/).

MusicaMinas2012

 

 

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A língua indígena

Língua de Índio (letra cifrada)

Introdução 1ª parte: A G A G A G …

2ª parte: G F G F G F …

G                             F

Gente que mora aqui

               G              F

No Brasil fala Tupi

           G

Até mesmo sem saber

F

Um garoto índio é guri

G                         F

Maracujá já dava cá

        G           F

Sabiá já sabia assobiar

G                                   F

Eis que caraíba veio espiar

           G                               F

Tabajaras, Tupis, Tamóios, Guaranis

    A                                        G

Aqui por essas bandas brotava macaxera

     A                                           G

Pitanga, guariroba, jenipapo, abacaxi

           A                                      G

Uma festa na floresta, macaúba, sucupira

         A                                     G   

Capivara, jararaca, perereca, jabuti

REFRÃO

C                            Bb

Tamanduá morava cá

           C                   Bb

Tanajura ele vivia a cutucar

C                                     Bb

Eis que caraíba veio espiar

             C                                   Bb

Bororós, Caetés, Guaicurus e Aimorés

A                              G

Índio mora na maloca

                  A                            G

E joga peteca, gosta de pipoca

A                                      G

Branco mora em carioca

                           A

Aprendeu com índio

                     G

A comer paçoca

AH UH EH AH…      G  F

REFRÃO

 G                        F

Aracaju, Jacarepaguá

              G                   F

Mais lugares em Tupi como Araxá

G                                  F

Eis que caraíba veio espiar

          G                                F

Tapajós, Carijós, Caiapós, Tupiniquins

 A                                      G

Índio vê na mata Curupira e Saci

A                                    G

Toma guaraná e suquinho de açaí

A                       G

Índio fica tiririca

                         A                             G

Quando muriçoca pica seu cangote

A                                            G

Índio de Pindamonhangaba

                   A

Piauí, Sergipe

        G

Itamaracá

 

1ª escuta

1) O que quer dizer a letra dessa música?

2) Aponte palavras da letra da música que você consegue identificar como:

a) a flora brasileira

b) a fauna

c) os nomes dos lugares

d) comidas indígenas

e) usos e costumes indígenas

3) Você reconhece todas essas palavras?

 

 Na aula de música

1) Qual é o ambiente  sugerido pelo arranjo da canção?

2) Quais pessoas estão cantando?

3) Quais instrumentos você reconhece na introdução?

4) Essa música tem um pulso bem marcado. Pode-se fazer uma roda indígena e trabalhar o pulso feito pelos pés e/ou com chocalhos.

5) O que acontece na harmonia no  momento em que o coro de crianças canta: “Tamanduá morava cá, tanajura ele vivia a cutucar…”?

6) Analise a estrutura das estrofes. Quais delas têm a mesma melodia?

 

2ª escuta com o livro:

Interpretação de texto:

1) Você conhece os nomes dos lugares que a autora cita?

2) A autora quer dizer com a frase “Eis que caraíba veio espiar”:

a) que um índio chegou muito perto.

b) que um homem branco veio dar uma olhada.

3) Marque com a letra “b” os nomes dos bichos, com a letra “f”, os nomes das frutas e com a letra “a” os nomes das árvores:

(   ) pitanga    (   ) guariroba     (   ) macaúba     (    ) tamanduá        (   ) maracujá

(   ) sucupira    (   ) arara  (   ) jacarandá      (   ) jenipapo       (   ) tanajura   (   ) jabuticaba

4) Agora procure na letra da canção os nomes restantes dos animais, das frutas e das árvores.

5) O que significam as palavras: Tabajaras, Tamóios, Guaranis, Caetés, Guaicurus, Aimorés, etc?

6) Qual é o ente mitológico que tem os pés voltados para trás?

7) Como se chama o menino que faz muita bagunça por onde passa e que fuma cachimbo? O que mais você sabe sobre ele?

Gramática:

1) A autora, no texto, diz: “Pirassununga significa lugar onde o peixe faz barulho”. Muitas palavras na língua tupi são compostas, ou seja, formadas por sufixos e/ou prefixos, que determinam uma frase ou ideia completa. “Ita”, por exemplo, significa “pedra”; quando junto de outra palavra, vai significar algo relacionado a pedra. Procure na letra da música uma palavra que tenha “ita”.

2) O que significa a palavra “Jacarepaguá”. E “Sergipe”?

3) Dê exemplos de palavras oxítonas que são da língua tupi.

4) Dê exemplos de palavras paroxítonas.

5) Você encontrou alguma palavra proparoxítona?

6) Você encontrou alguma palavra que contenha a letra “f” ou o dígrafo “rr”?

7) Complete as frases:

Índio mora na……..

E joga……………………….

Gosta de …………………………………….

Branco mora em …………………………………….

Aprendeu com índio, a comer………………………………………..

 

Ciências e ecologia:

1) Qual é a relação que os índios têm com a natureza?

2) Você acha importante respeitarmos a natureza? Por quê?

3) Faça uma pesquisa e procure mais palavras das línguas indígenas relacionadas a:

a) nomes de animais;

b) nomes de plantas;

c) lugares do Brasil;

d) prefixos;

e) sufixos.

     

Curiosidades:

Herdamos dos povos indígenas do Brasil muitas tradições. Na comida, a mandioca e o milho são algumas delas, além da pamonha, que é feita de milho.

A rede para deitar é muito utilizada, principalmente no Nordeste.

Os índios viviam livres no Brasil; não conheciam a escravidão (a não ser quando uma tribo guerreava com outra e mantinha os inimigos como reféns) e não aceitaram serem escravos dos povos portugueses. Como sempre tiveram a abundância oferecida pela natureza, não entendiam por que os portugueses exigiam que eles trabalhassem tanto para acumular coisas e bens materiais. Então preferiam a morte à escravidão. Os índios têm uma organização social muito peculiar e harmônica. Sua cultura é relacionada à natureza, ao respeito mútuo, à socialização dos bens, ao respeito aos mais velhos. Eles têm muito a nos ensinar, e, graças a sua resistência, muito da abundante natureza que ainda temos no Brasil foi e está sendo conservada. Para os índios, perder sua cultura e sua organização tribal é como perder a vida, pois não se adaptam ao estilo de vida do homem branco.

1) O que você sabe sobre os índios brasileiros?

2) Você é descendente de índios ou tem alguma pessoa na família ou algum amigo/conhecido que seja indígena?

3) O que você sabe sobre economia sustentável?

A lenda da vitória-régia é uma lenda brasileira de origem indígena tupi-guarani.

Há muitos anos, em uma tribo indígena, contava-se que a Lua (Jaci, para os índios) era uma deusa, que, ao despontar da noite, beijava e enchia de luz os rostos das mais belas índias virgens da aldeia – as cunhantãs. Sempre que ela se escondia atrás das montanhas, levava para si as moças de sua preferência e as transformava em estrelas no firmamento.

Uma linda jovem da tribo, a guerreira Naiá, vivia sonhando com esse encontro e mal podia esperar pelo grande dia em que seria chamada por Jaci. Os anciãos da tribo alertavam Naiá: depois de seu encontro com a sedutora deusa, as moças perdiam seu sangue e sua carne, tornando-se luz – viravam as estrelas do céu. Mas quem a impediria? Naiá queria porque queria ser levada pela lua. À noite, cavalgava pelas montanhas atrás dela, sem nunca alcançá-la. Todas as noites eram assim, e a jovem índia definhava, sonhando com o encontro, sem desistir. Não comia nem bebia nada. Tão obcecada ficou que não havia pajé que lhe desse jeito.

Um dia, tendo parado para descansar à beira de um lago, viu em sua superfície a imagem da deusa amada: a Lua refletida em suas águas. Cega pelo seu sonho, lançou-se ao fundo e se afogou. A Lua, compadecida, quis recompensar o sacrifício da bela jovem índia e resolveu transformá-la em uma estrela diferente de todas aquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa “Estrela das Águas”, única e perfeita: a planta vitória-régia. Assim nasceu uma linda planta, cujas flores brancas e perfumadas só abrem à noite, e, ao nascer do sol, ficam rosadas.

Nheengatu

O nheengatu, ou língua geral, era a língua falada no Brasil até o século XVIII. Derivada das várias línguas indígenas, com predominância do tupi-guarani, e misturada com o português, era utilizada por índios,  jesuítas e colonos portugueses.

A língua entrou em declínio no fim do  século XVIII com o aumento da imigração portuguesa, e, em 1758, o Marquês de Pombal proibiu a utilização do nheengatu, tornando obrigatório o uso do idioma português em todos os níveis. Alguns estudiosos da história afirmam que devido a esta medida o Brasil não chegou a ser um país bilíngue.

Até hoje ela pode ser ouvida em alguns locais da Amazônia.

Composição:

1) Que tal escrever uma pequena história usando palavras das línguas indígenas?

2) Faça um desenho escutando a canção: ilustre o ambiente e as imagens sugeridas pela letra.

3) Cada criança pode desenhar um animal ou outro elemento da canção. Quando os desenhos estiverem prontos,  faça “uma dança” de ilustrações apresentando cada ilustração assim que seu nome for citado na canção.

Abaixo, um vídeo de fotos com a música “Língua de Índio”.  Não é recomendável mostrá-lo antes de qualquer atividade. É como a velha história de o romance, em geral, ser melhor do que o filme. Poderemos ter muitas imagens na nossa cabeça ao ler um texto, e escutar uma canção e um vídeo é como se congelássemos imagens que podem ser muito limitadas em relação à nossa imaginação. Eu fiz o vídeo apenas com o intuito de divulgar na internet através do YouTube:

Esta canção também está presente no livro/CD Pra Fazer Música, da Cecília Cavalieri.

A cantora Marlui Miranda é pesquisadora da música e da cultura indígena. Em seu trabalho há canções que ela canta em línguas indígenas e também canções cantadas por índios.

Há um livro lindo chamado “Sakurabiat Mayãp Ebõ” de narrativas tradicionais indígenas, organizadas pela Ana Vilacy Galúcia. Vem acompanhado por um CD com os próprios índios narrando suas histórias.

Vejam só esse vídeo de um espetáculo realizado numa escola onde eles utilizaram a música Língua de Índio:

http://www.youtube.com/watch?v=70WgVEFBK7o

 

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A língua portuguesa

Companheiros eu sei Tocar

1ª escuta

1) Você percebe que os cantores tem um sotaque diferente?

2) O que significam as palavras “racataplan”, “flim flim” e “trim trim”?

3) Qual a participação dos portugueses na história do Brasil?

Sugestões Musicais

1) Esta é uma música acumulativa que trabalha a memória e a cada repetição,  acrescenta uma palavra: pode-se cantar a música como está, fazendo os gestos de execução de cada instrumento e depois inventar outros termos para os instrumentistas, tais como violeira, trompeteira, chocalheira, etc com suas respectivas onomatopéias.

2) Em Portugal, desde muitos séculos atrás, existia a figura do Tamborileiro que fazia a prática da Tamborileira, que era tocar o tambor e a flauta ao mesmo tempo. Ele tocava nas festas religiosas. Às vezes o Tamborileiro era acompanhado por um violeiro (na música há um bandolineiro que é um tocador de bandolim). Esta habilidade e coordenação motora para tocar os dois instrumentos simultaneamente pode ser experimentada pelas crianças.

3) A música tem uma estrutura básica de fraseado que é a pergunta (coro) e a resposta (cantora) , e pode ser organizado entre as crianças um solista e o coro.

Gramática:

Você sabia que além da diferença na pronúncia, nas palavras e na semântica, os portugueses formam algumas frases com um raciocínio diferente de nós brasileiros?

Tem uma diferença muito comum que está numa locução verbal. Enquanto nós usamos o gerúndio para indicar uma ação prolongada, eles utilizam o infinitivo, veja o exemplo:

No Brasil: você está gostando?

Em Portugal: estás a gostar?

O sotaque do português de Portugal valoriza as consoantes, enquanto que no Brasil, valorizamos as vogais, tornando o nosso português mais aberto e fácil de ser compreendido.

Há uma poesia portuguesa muito interessante sobre o português falado pelos brasileiros:

 

“Gosto de ouvir o português do Brasil

Onde as palavras recuperam sua substância total

Concretas como frutos, nítidas como pássaros

 

Gosto de ouvir as palavras com suas sílabas todas

Sem perder sequer um quinto da vogal

Quando Helena Lanari dizia o coqueiro

O coqueiro ficava muito mais vegetal”

                                                      Sophia Mello Breyner

Como sou admiradora do poeta lusitano Fernando Pessoa, transcrevo aqui uma poesia de sua autoria, “Mar Português”, que para mim é muito ilustrativa, pois fala da forte relação dos portugueses com o mar. Portugal é um país com pouco espaço geográfico. Faz fronteira com a Espanha e com o mar. Este foi um dos motivos que fez com que os portugueses se arriscassem a buscar novos horizontes através do oceano, pois era para onde podiam expandir-se.

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

1) Leia estas poesias tentando imitar a sotaque do português de Portugal.

Algumas dicas:

- Eles pronunciam mais as consoantes

- os “s” são ditos como os cariocas,

- os “l” têm o seu som articulado com a língua no palato, e não como o “u” que usamos no Brasil,

- os “r” mais vibrantes

- os “m” soam labiais e os “n” com a língua no palato e não são nasalados como os nossos.

- Os “d” e “t” se pronunciam sempre na ponta da língua mesmo seguidos de “i” e “e”

2) Você conhece mais palavras que têm significados diferentes no Brasil e em Portugal? Pesquise.

 

Cultura, usos e costumes:

Há festas de rua brasileiras que são uma mistura das festas de rua de Portugal com as manifestações culturais dos negros. Desde muitos séculos atrás muitas destas festas tinham uma conotação religiosa, e hoje fazem parte do que chamamos sincretismo religioso, que é a incorporação das manifestações religiosas do catolicismo às das culturas africanas e indígenas.

Composição:

Que tal fazer uma encenação do encontro dos portugueses com os índios? Um grupo fala português com o sotaque de Portugal,  o outro fala tupi-guarani e assim tentam conversar também utilizando mímica.

 

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As línguas dos negros

 

 Fuzuê

1ª escuta:

1) Essa música nos remete a qual ambiente?

2) Você já experimentou as comidas citadas na letra da canção?

Aula de música

A cozinha pode ser um lugar muito aconchegante. Há muitas casas em que as pessoas recebem as visitas na cozinha. Pode ser um lugar perigoso também, precisamos tomar cuidado! Mas quem já não batucou nas vasilhas da cozinha? As possibilidades sonoras são bem variadas.

1) Você consegue identificar na canção os instrumentos de percussão da cozinha? Quais são eles?

2) O ritmo da música é um maracatu. Há um ostinato do berimbau no começo que é como um baião. Pode-se seguir a linha do berimbau com palmas ou instrumentos de percussão e, na sequência, acompanhar os ostinatos seguintes.

3) Faça uma pesquisa com os timbres de objetos do entorno que a princípio não são musicais. Analise-os  e compare-os sucessivamente quanto a frequência, intensidade, duração, timbre.

4) Organize uma pequena orquestra com instrumentos feitos com objetos reciclados e alterne os regentes da orquestra entre as crianças. O regente pode controlar intensidade, dividir a orquestra em grupos, usar pausas, solos, pergunta e resposta, etc.

Na época da escravidão, os escravos costumavam se reunir para cantar, dançar, jogar capoeira e praticar seus cultos religiosos. São inúmeros os instrumentos musicais e principalmente os de percussão que têm origem africana: o berimbau, o atabaque, o agogô.

5) Além desses, você conhece outros?

Muitos ritmos brasileiros também foram criados e desenvolvidos pelos negros: o samba, o maracatu…

6) Pesquise e encontre outros gêneros musicais brasileiros e sua relação com os negros.

Aqui há um link de um Teaser do filme “Congadeiro” – Congado de Uberlândia – Direção: Clarissa Guimarães Aranyi – Edição: Guaiamum Vídeos, uma das festas de rua  brasileiras que misturam a cultura portuguesa com a africana.

http://www.youtube.com/watch?v=8WMyzLEtM6k&feature=plcp

Usos e costumes:

As mulheres  negras africanas, em geral, trabalhavam na cozinha e faziam muitos pratos africanos, que se transformaram na culinária típica brasileira. No estado da Bahia, eles são bem característicos, pois lá é onde predominam os descendentes de africanos. As comidas utilizam bastante azeite de dendê, pimenta, farinha de mandioca.

1) Cite alguns pratos da comida baiana.

2) E agora, da comida mineira e de outros lugares do Brasil.

Curiosidades:

Por serem línguas apenas faladas e não registradas através da escrita, as línguas indígenas e africanas se misturam e se confundem na sua origem, inclusive quando têm alguma semelhança na sonoridade. Há muita controvérsia em relação a algumas palavras.  A maneira como o índio e o negro pronunciavam o português também caracterizou  o sotaque doce e melodioso do português falado no Brasil.

Racismo e problemas socioeconômico-culturais brasileiros:

Na época da escravatura, os negros trabalhavam e tinham casa e comida, infelizmente, na maioria dos casos, da pior qualidade, além de serem injustiçados e torturados. A Princesa Isabel teve uma atitude importante instituindo a Lei Áurea. Mas depois da lei da abolição, os escravos geralmente ficavam sem trabalho, sem casa e sem comida. Muitos começaram a “se virar”, porque, como sempre trabalharam, sabiam muitos ofícios. Mas além de tudo usaram a criatividade para sobreviver. Essa criatividade faz parte da nossa identidade nacional.

Citando Livraghi  (autor do ensaio “O poder da estupidez”) “uma das maiores estupidezes humanas é o racismo, que há causado milhões de vítimas, incluindo os horrores do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial. Não é mera coincidência se associarmos a nossa história de escravatura e suas consequências no Brasil”.

A época da abolição da escravatura também foi um marco para os grandes problemas sociais e econômicos do povo brasileiro. E, infelizmente, até hoje há uma mentalidade escravocrata e discriminadora, e os trabalhadores brasileiros não são respeitados e remunerados dignamente no Brasil. Nossa nação fará um grande avanço quando souber dividir melhor nossa riqueza; quando valorizar e assumir a formação mestiça do povo brasileiro; quando respeitar as individualidades e as diversidades, estará mais apta a ser um país desenvolvido. Nós, professores, que somos agentes multiplicadores, temos uma função importante na transformação dessa mentalidade; temos que, cada vez mais, aumentar nossa consciência para podermos transmitir valores mais justos, humanos e sem preconceitos.

Gramática:

1) Escreva “a” nas palavras de origem africana relativas à alimentação, “e” nas expressões populares e “r” nos termos religiosos:

(   ) cafundó  (   ) cuscuz  (   ) Iemanjá   (   ) caruru   (   ) borocoxô (   ) saravá  (   ) abará   (   ) Iansã

(   ) cafuné  (   ) abadá

2) Qual é a semelhança entre elas na acentuação?

Nesta canção de João Bosco encontramos palavras do tupi-guarani, das línguas africanas, etc. Faça uma pesquisa e descubra as origens das palavras sublinhadas:

Linha de Passe

Toca de tatu, lingüiça e paio e boi zebu

Rabada com angu, rabo-de-saia

Naco de peru, lombo de porco com tutu

E bolo de fubá, barriga d’água

Há um diz que tem e no balaio tem também

Um som bordão bordando o som, dedão, violação

Diz um diz que viu e no balaio viu também

Um pega lá no toma-lá-dá-cá, do samba

Um caldo de feijão, um vatapá, e coração

Boca de siri, um namorado e um mexilhão

Água de benzê, linha de passe e chimarrão

Babaluaê, rabo de arraia e confusão…

Eh, yeah, yeah . . .

(Valeu, valeu, Dirceu do seu gado deu…)

Cana e cafuné, fandango e cassulê

Sereno e pé no chão, bala, camdomblé

E o meu café, cadê? Não tem, vai pão com pão

Já era Tirolesa, o Garrincha, a Galeria

A Mayrink Veiga, o Vai-da-Valsa, e hoje em dia

Rola a bola, é sola, esfola, cola, é pau a pau

E lá vem Portela que nem Marquês de Pombal

Mal, isso assim vai mal, mas viva o carnaval

Lights e sarongs, bondes, louras, King-Kongs

Meu pirão primeiro é muita marmelada

Puxa saco, cata-resto, pato, jogo-de-cabresto

E a pedalada

Quebra outro nariz, na cara do juiz

Aí, e há quem faça uma cachorrada

E fique na banheira, ou jogue pra torcida

Feliz da vida

Composição:

1) Que tal escrever uma poesia usando palavras africanas?

2) Escolha alguma dança, festa ou música da diversidade cultural negra brasileira para fazer um lindo desenho.

Abaixo, um vídeo de fotos com a música “Fuzuê”. Novamente, não é recomendável mostrá-lo também antes de qualquer atividade:

Há um livro muito interessante para as crianças sobre a influência africana na nossa cultura: A África está em Nós. Ele pode ser lido na internet neste endereço: http://issuu.com/grafset/docs/03_-_unidade_2

 

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Latim – A língua-mãe

Alecrim

1) Você conhece a melodia desta canção? Você acha que a cantora está cantando a letra errada?

2) Você sabe o que é versão?

As canções populares têm várias versões, ou seja, como sua transmissão é oral, cada pessoa pode cantá-la de uma maneira, sendo que não há certa ou errada. Neste caso do CD Desenrolando, a canção teve uma versão completa em latim.

3) Você sabia que as línguas, como as pessoas, têm família? Que têm árvore genealógica e tudo?

5) Você reconhece algum parentesco entre o latim e o português nesta canção? Em quais palavras?

Gramática:

O latim é uma língua na qual é muito importante pronunciar uma palavra até o final, pois lá há uma desinência. A desinência é a “alma” da palavra latina. É a parte variável, através da qual é indicada a relação gramatical entre ela e outras palavras. Declinar uma palavra é recitá-la em todos os casos, tanto no singular como no plural:

Abaixo está um pequeno esquema da formação das palavras e frases em latim com a declinação da palavra insula (ilha) no singular:

 

– Nominativo: insul-ă – a ilha  (sujeito)

Ex: Insulă pulcha est.  – A ilha é bela.

 

– Genitivo: insul-ae – da ilha (adjunto adnominal)

Ex: Silvae insulae vastae sunt. – As florestas da ilha são vastas.

 

– Dativo : insul-ae – à ilha (objeto indireto)

Ex: Deus silvas insulae dedit. – Deus deu florestas à ilha.

 

– Acusativo: insul-am – a ilha (objeto direto)

Ex: Nauta insulam vastaverunt. – Os marinheiros devastaram a ilha.

 

–Vocativo: insul-ă – ó ilha (vocativo)

Ex: Insulă, pulchra es! –  Ó ilha, és bela!

 

–Ablativo: insul-ā – na ilha (adjuntos adverbiais)

Nautae in insulā sunt.  – Os marinheiros estão na ilha.

Meu professor de latim dizia que a língua latina é tão bem estruturada que contribui para a organização mental. Graças ao raciocínio estratégico que ela desenvolve, segundo ele, Roma quase dominou o mundo. Depois de conquistar a Europa, acabou chegando à América do Sul, através dos seus “descendentes linguísticos” latinos, e houve uma latinização do Ocidente. Até o inglês sofreu influência do latim na formação de 60% das suas palavras.

O alfabeto latino, derivado dos alfabetos etrusco e grego (por sua vez, derivados do alfabeto fenício) continua a ser o mais amplamente usado no mundo.

1) Procure pela sua cidade palavras ou expressões em latim em cartazes, lojas, avisos. Certamente você vai encontrar muitas.

Composição:

1) Escreva uma história sobre animais utilizando seus nomes em latim.

No CD do livro Desenrolando a Língua, há uma versão de Alecrim, cantada em latim. Aqui está um vídeo onde a Naomi, uma menina muito esperta, canta a canção que ela aprendeu ouvindo o CD: http://www.youtube.com/watch?v=lqcs7XYkJug&feature=youtu.be

Aqui está a letra correta, feita pelo professor Manoel Alvez de Melo:

Alecrim, alecrim auratus

Natus est in campo

Sine seminare.

 

O amor meus.

Qui sic tibi dixit

Esse alecrim florem camporum.

 

Alecrim, alecrim formosus.

Per amorem tuum

Plorant oculi mei.

 

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Espanhol

Cocodrilos

1) Qual parte da música é cantada em espanhol? E em português?

2) Escreva a palavra que significa “jacaré” em português e em espanhol. Agora escreva no diminutivo. Qual a diferença entre elas?

A língua espanhola é a irmã mais parecida com o português da família das línguas latinas.

Muitas palavras se diferenciam apenas por uma letra:

- exemplo/ ejemplo,  língua/lengua,  palavra/palabra

Outras, por uma letra, que só muda de lugar:

- crocodilos/cocodrilos, pergunta/pregunta, gaivota/gaviota

Há palavras em espanhol a que se acrescenta uma letra:

- medo/miedo, estudante/estudiante, descendentes/descendientes

Outras que em português é que se acrescenta uma letra:

- louco/loco, fronteira/frontera, mais/mas

É muito divertido observar essas pequenas diferenças entre as duas línguas.

3) Descubra mais algumas nessa canção sobre os animais migratórios.

4) Faça uma tradução dessa canção para o português.

 

ANIMALES MIGRATORIOS

Yo y las garzas, ranas y cangrejos

Tú y yo, y las tortugas

Yo y la gente que se mueve

Que viene y que se va

Tú y yo para allá y para acá

 

Las golondrinas y los flamencos

Las águilas y los halcones

Los elefantes y las cebras

Las mariposas, los machos y las hembras

 

Refrão

 

Los pingüinos para procrear

Otros pájaros para el plumaje cambiar

Las grullas y los pelícanos

En el invierno o en el verano

 

Refrão

 

Los patos, cuervos y ballenas

Por alimento migran también las cigüeñas

En el otoño por el cielo o por el mar

Huyen del hambre o viajan para anidar

 

Refrão

 

Por las estrellas se guían por el sol

Vuelan al norte o quizás también al sur

Huyen del frío o del calor

O mejor, buscando su amor

Abaixo, um vídeo de fotos com a música “Animales Migratorios”. Novamente, não o mostre antes de qualquer atividade:

Entre o espanhol e o português existem palavras que são chamadas de “falsas amigas”, porque são iguais mas têm significados diferentes.

“Ligar”, que no Brasil se usa para “conectar aparelhos eletrônicos”, “chamar alguém pelo telefone”, “conectar uma coisa à outra”, ou “se preocupar com alguém”, em espanhol, significa “paquerar”. “Quedar” em espanhol significa “ficar” em português. “Esquisito” significa algo maravilhoso em espanhol.

Quando começamos a falar um idioma é comum raciocinarmos na nossa própria língua, mantermos nosso sotaque e falarmos no nosso idioma termos que ainda não conhecemos. O “portunhol” é uma “nova língua” criada por novos falantes brasileiros/portugueses do espanhol, e o contrário também, claro. É muito falado pela estreita ligação de uma língua com a outra e pelo fato de as pessoas não estudarem essas línguas por serem, a princípio, “fáceis”. Uma das características do “portuñol” é colocarmos o final “ón” nas palavras portuguesas com final “ão”. Assim, coração vira corazón e  avião, avión. Mas no caso de tubarão, vamos nos enganar redondamente, pois tubarão é tiburón em espanhol.

O espanhol é a segunda língua mais falada no mundo ocidental, então sabendo espanhol, podemos nos comunicar com colombianos, venezuelanos, peruanos, argentinos, chilenos, mexicanos, equatorianos, paraguaios, bolivianos, panamenhos, nicaraguenses, hondurenhos, guatemaltecos, dominicanos, costarriquenhos, cubanos, uruguaios e pessoas de muitos outros países.

 

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Francês

“La Haut sur La Montagne”

1) Você reconhece alguma palavra nesta canção?

2) Qual é a relação de parentesco entre o francês e o português?

3) Você percebe o sotaque do cantor ao contar a história em português no final?

Gramática:

O francês é uma língua em que há uma grande diferença da escrita em relação à fala. Para mim, é como se houvesse muitas letras para poucos sons, pois não são todas pronunciadas, mas, em geral, o conjunto delas. Eis o tritongo “eau”, que se lê “ô”.  É claro, um “ô” diferente do nosso, porque há que fazer um “biquinho”, que creio ser a maior dificuldade na pronúncia do francês. Este biquinho também faz com que o “i”, se pareça com o “u” e vice-versa.

O “s” no final das palavras quase nunca é pronunciado, como o “s” que muitos, erroneamente, não dizem nos plurais no Brasil.

Mas, enfim, o francês é uma língua latina e tem palavras que se parecem com o português, outras com o castelhano e outras com o italiano. Como numa família um se parece com o pai, outro com o irmão, outro com a tia. Um tem os olhos do avô, a boca da mãe, o corpo do primo, etc.

O Brasil tem uma particularidade: ele absorve tudo o que vem de fora, valoriza, e às vezes transforma, abrasileirando:

Veja essa canção do Ednardo:

Anavantu anavantu anarriê

Ne pa de qua, ne pas de qua, padê burrê

Igualitê, fraternitê e libertê

Merci bocu merci bocu não há de quê

Anavantu anavantu anarriê quer dizer, ir pra frente duas vezes e depois voltar para trás, como o comando na dança da quadrilha (que tem origem francesa).

Ne pa de qua, é o mesmo que responder “de nada”.

Padê burrê  é um passo de balé.

Igualité, fraternité e liberté são as palavras do lema da revolução francesa.

Merci bocu, obrigado.

Veja abaixo como se escreve corretamente em francês:

An avant, an avant, an arriere 

ne pas de quoi ne pas de quoi 

pas de bourree

égalité, fraternité e liberté,

merci beaucoup, merci beaucoup  não há de quê

A França sempre foi ligada às artes, à cultura e à moda. Dizem também que Paris é a cidade do amor. Além disso, é o terceiro país europeu (depois da Inglaterra e Espanha) que mais tem colônias no mundo: África, Ásia e América. Isso fez com que se divulgasse muito sua língua.

ballet clássico tem toda sua nomenclatura em francês.

Há inúmeros e grandes museus  em Paris, mesmo que contenham obras de culturas de outros países do mundo. Eles se apropriaram desse patrimônio mundial, mas, por outro lado, o conservam e  valorizam. Os países pobres e em desenvolvimento às vezes não têm consciência de preservação histórica, e, em muitos casos, é o seu próprio povo e governo que destroem tal patrimônio.

Na moda, os franceses são estilistas da alta costura e prêt-à-porte (pronto para usar) e realizam grandes desfiles e lançamentos na moda.

Nas artes, participaram e influenciaram a muitos movimentos de vários lugares, épocas e gerações: renascentismo, impressionismo, expressionismo, surrealismo, cubismo, art nouveau, modernismo etc.

No cinema, além de criarem estilos (nouvelle vague, avant-garde) e produzirem clássicos, sediam importantes prêmios cinematográficos.

Por tudo isso, sua língua nos chega e fica, esponjas que somos.

É difícil traduzir a letra de uma música, já que ela tem ritmo e melodia definidos. É praticamente impossível colocar ideias e frases idênticas na métrica e na prosódia da canção. O mais comum são versões. Esta canção, “La haut sur la montagne”, tem uma versão em português que é assim:

No alto da montanha 

Bem perto lá do céu

Havia um castelinho,

Onde um rei viveu

De lá se via o céu,

A terra ao longe,    

O sol e o mar

No alto da montanha

Quem dera  eu lá morar.

Aula de música 

1) Atenção para o intervalo de 8ª logo no começo: “la haut sur la montagne”.

Nos arranjos do CD, tentamos em todas as músicas reproduzir uma ideia do estilo musical e cultural de cada lugar onde são faladas as línguas. Escolhemos um estilo swing para representar a França, por ser muito comum lá. Também os mais importantes músicos do jazz americano fizeram carreira na França. O violinista francês Stéphane Grappelli caracterizou o estilo de jazz swing com violino na França.

 

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