O livro/CD “Desenrolando a Língua”, é um projeto artístico e também didático, melhor, paradidático. As músicas e as ilustrações criam um ambiente e encantam ao mesmo tempo que ensinam! Escrito de forma sintética, o livro é acessível às crianças e as pessoas em geral, que não tem conhecimento ou interesse em um maior aprofundamento acadêmico nas Letras e Línguas. Assim, neste pequeno formato, o projeto relançado agora pela Editora Autêntica, traz informações básicas da língua falada no Brasil e a partir de então, o leitor pode desenvolver uma escuta e/ou fala atenta e reflexiva sobre nossa língua.
Mas como aproveitá-lo melhor nas escolas?
Como educadora, sei o trabalho que temos em preparar aulas, que têm de ser dinâmicas e motivadoras, principalmente para as crianças. Por experiência própria, sei o quanto é importante termos conhecimento do que apresentamos em classe, atitudes seguras, e ao mesmo tempo, criativas. Trabalhar com educação sempre nos estimula a criar estratégias didático-pedagógicas e estar atentos à assimilação e resultados no desenvolvimento da criança.
Infelizmente há uma grande defasagem no Brasil na formação de professores do ensino fundamental.
Refletindo sobre isso, pensei, porque não sistematizar algumas atividades pedagógicas que me ocorrem para o Desenrolando? Com este material do livro/CD, posso “desenrolar” possibilidades para pessoas que se interessam em trabalhar com ele, propostas do tipo das que me ajudam tanto quando estou estudando e/ou trabalhando. Traduzindo: às vezes é bom receber algo “mastigadinho”, tanto alunos quanto professores, porque assim também se podem gerar multiplas idéias, não?
Desenrolando… um blog com atividades, sugestões, propostas, para se trabalhar com o livro e com o CD. Aqui, passeio com mais tranquilidade em cada “capítulo” do livro e cito fontes e referências que me ajudaram a escrevê-lo e a compôr as canções. Com direito a curiosidades, comentários, observações, indicação de links complementares. Podemos considerar o blog também como um making off ou um back stage do livro.
Direcionado aos professores do ensino fundamental e/ou aulas de música, no blog não há um planejamento para uma idade específica, num processo gradativo. O texto do livro é dirigido, a princípio, a uma faixa etária de 8 a 10 anos, e a partir desta idade, a quem interessar possa. O CD não tem limite de idade, apesar de ser feito para as crianças. As idéias do blog, no entanto, devem ser avaliadas e selecionadas segundo o nível e a área onde vão ser utilizadas.
Importante: gostaria muito de trocar informações com educadores que o utilizam e queiram apresentar experiências, questionamentos, dúvidas, idéias e mais idéias!!!
4) Agora procure na letra da canção os nomes restantes dos animais, das frutas e das árvores.
5) O que significam as palavras: Tabajaras, Tamóios, Guaranis, Caetés, Guaicurus, Aimorés, etc?
6) Qual é o ente mitológico que tem os pés voltados para trás?
7) Como se chama o menino que faz muita bagunça por onde passa e que fuma cachimbo? O que mais vc sabe sobre ele?
Gramática:
1) A autora, no texto, diz “Pirassununga significa lugar onde o peixe faz barulho”. Muitas palavras na língua Tupi são compostas, ou seja, formadas por sufixos e/ou prefixos, e que determinam uma frase ou idéia completa. “Ita” por exemplo significa “pedra”, quando junto de outra palavra vai significar algo relacionado à pedra. Procure na letra da música uma palavra que tenha “ita”.
2) O que significa a palavra “Jacarepaguá”. E “Sergipe”?
3) Dê exemplos de palavras oxítonas que são da língua Tupi.
4) Dê exemplos de palavras paroxítonas.
5) Você encontrou alguma palavra proparoxítona?
6) Você encontrou alguma palavra que contenha a letra “F” ou o dígrafo “RR”?
7) Complete as frases:
Índio mora na……..
E joga……………………….
Gosta de …………………………………….
Branco mora em …………………………………….
Aprendeu com índio, a comer………………………………………..
Ciências e ecologia:
1) Qual a relação que os índios tem com a natureza?
2) Você acha importante respeitarmos a natureza? Por que?
3) Faça uma pesquisa e procure mais palavras das línguas indígenas relacionadas a:
a) Nomes de animais
b) Nomes de plantas
c) Lugares do Brasil
d) Prefixos
e) Sufixos
Curiosidades:
Herdamos dos povos indígenas do Brasil muitas tradições. Nas comidas: a mandioca e o milho são algumas delas, a maneira de preparar a pamonha, que é feita de milho.
A rede para deitar é muito usada principalmente no nordeste.
Os índios viviam livres no Brasil, não conheciam a escravidão (a não ser quando uma tribo guerreava com outra e mantinham os inimigos como reféns) e não aceitaram ser escravos dos povos portugueses. Como sempre tiveram a abundância oferecida pela natureza, não entendiam porque os portugueses queriam que eles trabalhassem tanto para acumular coisas e bens materiais. Eles então preferiam a morte à escravidão. Os índios tem uma organização social muito peculiar e harmônica. Sua cultura é relacionada à natureza, ao respeito mútuo, a socialização dos bens, ao respeito aos mais velhos. Eles tem muito a nos ensinar e graças à resistência deles, muito da abundante natureza que ainda temos no Brasil foi e está sendo conservada. Os índios quando perdem sua cultura e sua organização tribal é como se perdessem a vida, pois não se adaptam ao estilo de vida do homem branco.
1) O que você sabe sobre os índios brasileiros?
2) Você é descendente de índios ou tem alguma pessoa na família, amigo, conhecido que seja indígena?
3) O que você sabe sobre economia sustentável?
Alenda da vitória-régia é uma lenda brasileira de origem indígena Tupi- Guarani
Há muitos anos, em uma tribo indígena, contava-se que a lua (Jaci, para os índios) era uma deusa que ao despontar a noite, beijava e enchia de luz os rostos das mais belas virgens índias da aldeia – as cunhantãs-moças. Sempre que ela se escondia atrás das montanhas, levava para si as moças de sua preferência e as transformava em estrelas no firmamento.
Uma linda jovem virgem da tribo, a guerreira Naiá, vivia sonhando com este encontro e mal podia esperar pelo grande dia em que seria chamada por Jaci. Os anciãos da tribo alertavam Naiá: depois de seu encontro com a sedutora deusa, as moças perdiam seu sangue e sua carne, tornando-se luz – viravam as estrelas do céu. Mas quem a impediria? Naiá queria porque queria ser levada pela lua. À noite, cavalgava pelas montanhas atrás dela, sem nunca alcançá-la. Todas as noites eram assim, e a jovem índia definhava, sonhando com o encontro, sem desistir. Não comia e nem bebia nada. Tão obcecada ficou que não havia pajé que lhe desse jeito.
Um dia, tendo parado para descansar à beira de um lago, viu em sua superfície a imagem da deusa amada: a lua refletida em suas águas. Cega pelo seu sonho, lançou-se ao fundo e se afogou. A lua, compadecida, quis recompensar o sacrifício da bela jovem índia, e resolveu transformá-la em uma estrela diferente de todas aquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa “Estrela das Águas”, única e perfeita, que é a planta vitória-régia. Assim, nasceu uma linda planta cujas flores perfumadas e brancas só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas.
Nheengatu
Nheengatu ou língua geral era a língua falada no Brasil até o século XVIII. Derivada das várias línguas indígenas com predominância do tupi-guarani e misturada com o português, era utilizada pelos índios, jesuítas e colonos portugueses.
A língua entrou em declínio no fim do século XVIII, com o aumento da imigração portuguesa e em 1758 o Marquês de Pombal proibiu a utilização do nheengatu tornando obrigatório o uso do idioma português em todos os níveis. Alguns estudiosos da história afirmam que devido a esta medida o Brasil não chegou a ser um país bilíngue.
Até hoje ela pode ser ouvida em alguns locais da Amazônia.
Composição:
1) Que tal escrever uma pequena história usando palavras das línguas indígenas?
2) Faça um desenho escutando a canção: ilustre o ambiente, as imagens sugeridas pela letra.
3) Cada criança pode desenhar um animal ou outro elemento da canção. Quando os desenhos estiverem prontos, façam “uma dança” de ilustrações apresentando cada ilustração assim que seu nome for citado na canção.
Abaixo um vídeo de fotos com a música “Língua de Índio”. Não é recomendável mostrá-lo antes de qualquer atividade. É como a velha história do romance em geral ser melhor do que o filme, porque poderemos ter muitas imagens na nossa cabeça ao ler um texto e escutar uma canção e um vídeo é como se congelássemos imagens que podem ser muito limitadas em relação à nossa imaginação. Eu fiz o vídeo apenas com o intuito de divulgar na internet através do Youtube:
Esta canção também está presente no livro/CD “Pra Fazer Música” da Cecília Cavalieri.
1) Você percebe que os cantores tem um sotaque diferente?
2) O que significam as palavras “racataplan”, “flim flim” e “trim trim”?
3) Qual a participação dos portugueses na história do Brasil?
Sugestões Musicais
1) Esta é uma música acumulativa que trabalha a memória e a cada repetição, acrescenta uma palavra: pode-se cantar a música como está, fazendo os gestos de execução de cada instrumento e depois inventar outros termos para os instrumentistas, tais como violeira, trompeteira, chocalheira, etc com suas respectivas onomatopéias.
2) Em Portugal, desde muitos séculos atrás, existia a figura do Tamborileiro que fazia a prática da Tamborileira, que era tocar o tambor e a flauta ao mesmo tempo. Ele tocava nas festas religiosas. Às vezes o Tamborileiro era acompanhado por um violeiro (na música há um bandolineiro que é um tocador de bandolim). Esta habilidade e coordenação motora para tocar os dois instrumentos simultaneamente pode ser experimentada pelas crianças.
3) A música tem uma estrutura básica de fraseado que é a pergunta (coro) e a resposta (cantora) , e pode ser organizado entre as crianças um solista e o coro.
Gramática:
Você sabia que além da diferença na pronúncia, nas palavras e na semântica, os portugueses formam algumas frases com um raciocínio diferente de nós brasileiros?
Tem uma diferença muito comum que está numa locução verbal. Enquanto nós usamos o gerúndio para indicar uma ação prolongada, eles utilizam o infinitivo, veja o exemplo:
No Brasil: você está gostando?
Em Portugal: estás a gostar?
O sotaque do português de Portugal valoriza as consoantes, enquanto que no Brasil, valorizamos as vogais, tornando o nosso português mais aberto e fácil de ser compreendido.
Há uma poesia portuguesa muito interessante sobre o português falado pelos brasileiros:
“Gosto de ouvir o português do Brasil
Onde as palavras recuperam sua substância total
Concretas como frutos, nítidas como pássaros
Gosto de ouvir as palavras com suas sílabas todas
Sem perder sequer um quinto da vogal
Quando Helena Lanari dizia o coqueiro
O coqueiro ficava muito mais vegetal”
Sophia Mello Breyner
Como sou admiradora do poeta lusitano Fernando Pessoa, transcrevo aqui uma poesia de sua autoria, “Mar Português”, que para mim é muito ilustrativa, pois fala da forte relação dos portugueses com o mar. Portugal é um país com pouco espaço geográfico. Faz fronteira com a Espanha e com o mar. Este foi um dos motivos que fez com que os portugueses se arriscassem a buscar novos horizontes através do oceano, pois era para onde podiam expandir-se.
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
1) Leia estas poesias tentando imitar a sotaque do português de Portugal.
Algumas dicas:
- Eles pronunciam mais as consoantes
- os “s” são ditos como os cariocas,
- os “l” têm o seu som articulado com a língua no palato, e não como o “u” que usamos no Brasil,
- os “r” mais vibrantes
- os “m” soam labiais e os “n” com a língua no palato e não são nasalados como os nossos.
- Os “d” e “t” se pronunciam sempre na ponta da língua mesmo seguidos de “i” e “e”
2) Você conhece mais palavras que têm significados diferentes no Brasil e em Portugal? Pesquise.
Cultura, usos e costumes:
Há festas de rua brasileiras que são uma mistura das festas de rua de Portugal com as manifestações culturais dos negros. Desde muitos séculos atrás muitas destas festas tinham uma conotação religiosa, e hoje fazem parte do que chamamos sincretismo religioso, que é a incorporação das manifestações religiosas do catolicismo às das culturas africanas e indígenas.
Composição:
Que tal fazer uma encenação do encontro dos portugueses com os índios? Um grupo fala português com o sotaque de Portugal, o outro fala tupi-guarani e assim tentam conversar também utilizando mímica.
2) Você já experimentou as comidas citadas na letra da canção?
Aula de música
A cozinha pode ser um lugar muito aconchegante. Há muitas casas que recebem as visitas na cozinha. Pode ser um lugar perigoso também, precisamos tomar cuidado! Mas quem já não batucou nas vasilhas da cozinha? As possibilidades sonoras são bem variadas.
1) Você consegue identificar na canção os “instrumentos” de percussão da cozinha? Quais são eles?
2) O ritmo da música é um maracatu. Há um ostinato do berimbau no começo que é como um baião. Pode-se seguir a linha do berimbau com palmas ou instrumentos de percussão e na sequência, acompanhar os ostinatos seguintes.
3) Faça uma pesquisa com os timbres de objetos do entorno que a princípio não são musicais. Analise-os e compare-os sucessivamente quanto à freqüência, intensidade, duração, timbre.
4) Organize uma pequena orquestra com instrumentos feitos com objetos reciclados e alterne os regentes da orquestra entre as crianças. O regente pode controlar intensidade, dividir a orquestra em grupos, usar pausas, solos, pergunta e resposta, etc.
Na época da escravidão, os escravos costumavam se reunir para cantar, dançar, jogar capoeira e praticar seus cultos religiosos. São inúmeros os instrumentos musicais e principalmente os de percussão que tem origem africana: o berimbau, o atabaque, o agogô.
5) Além destes, vc conhece outros?
Muitos ritmos brasileiros também foram criados e desenvolvidos pelos negros: o samba, o maracatu… 6) Pesquise e encontre outros gêneros musicais brasileiros e sua relação com os negros.
Aqui há um link de um trailer sobre o Congado, uma das festas de rua brasileiras que misturam a cultura portuguesa com a africana.
Usos e costumes:
As mulheres negras africanas em geral trabalhavam na cozinha e faziam muitos pratos africanos que se transformaram na culinária típica brasileira. No estado da Bahia, eles são bem característicos, pois também é onde predominam os descendentes de africanos. As comidas utilizam azeite de dendê, pimenta, farinha de mandioca.
1) Cite alguns pratos da comida baiana.
2) E agora, da comida mineira. E de outros lugares do Brasil.
Curiosidades:
Por serem línguas apenas faladas e não registradas através da escrita, as línguas indígenas e africanas se misturam e se confundem na sua origem, inclusive quando têm alguma semelhança na sonoridade. Há muita controvérsia em relação a algumas palavras. A maneira que o índio e o negro pronunciavam o português também caracterizou o sotaque doce e melodioso do português falado no Brasil.
Racismo e problemas sócio-econômico-culturais brasileiros:
Na época da escravatura, os negros trabalhavam e tinham casa e comida, infelizmente na maioria dos casos, da pior qualidade, além de serem injustiçados e torturados. A Princesa Isabel fez um ato importante instituindo a lei Áurea. Mas depois da lei da abolição, os escravos em geral ficaram sem trabalho, sem casa e sem comida. Muitos começaram a “se virar” porque na verdade como sempre trabalharam, sabiam muitos ofícios. Mas além de tudo usaram a criatividade para sobreviver. Esta criatividade faz parte da nossa identidade nacional.
Citando Livraghi (autor do ensaio “O Poder da Estupidez”) uma das maiores estupidezes humanas é o racismo, que há causado milhões de vítimas, incluindo os horrores do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial. Não é mera coincidência se associarmos a nossa história de escravatura e suas consequências no Brasil.
A época da abolição da escravatura também foi um marco para os grandes problemas sociais e econômicos do povo brasileiro. E infelizmente até hoje há uma mentalidade escravocrata e discriminadora e os trabalhadores brasileiros não são respeitados e remunerados dignamente. Nossa nação fará um grande avanço, quando souber dividir melhor nossa riqueza. Quando valorizar e assumir a formação mestiça do povo brasileiro, quando respeitar as individualidades e as diversidades, estará mais apta a ser um país desenvolvido. Nós professores, que somos agentes multiplicadores, temos uma função importante na transformação desta mentalidade, temos que cada vez mais aumentar nossa consciência para podermos transmitir valores mais justos, humanos e sem preconceitos.
Gramática:
1) Escreva “a” nas palavras de origem africana relativas à alimentação, “e” nas expressões populares e “r” nos termos religiosos:
Nesta canção do João Bosco encontramos palavras do tupi-guarani, das línguas africanas, etc. Faça uma pesquisa e descubra as origens das palavras sublinhadas:
Linha de Passe
Toca de tatu, lingüiça e paio e boi zebu
Rabada com angu, rabo-de-saia
Naco de peru, lombo de porco com tutu
E bolo de fubá, barriga d’água
Há um diz que tem e no balaio tem também
Um som bordão bordando o som, dedão, violação
Diz um diz que viu e no balaio viu também
Um pega lá no toma-lá-dá-cá, do samba
Um caldo de feijão, um vatapá, e coração
Boca de siri, um namorado e um mexilhão
Água de benzê, linha de passe e chimarrão
Babaluaê, rabo de arraia e confusão…
Eh, yeah, yeah . . .
(Valeu, valeu, Dirceu do seu gado deu…)
Cana e cafuné, fandango e cassulê
Sereno e pé no chão, bala, camdomblé
E o meu café, cadê? Não tem, vai pão com pão
Já era Tirolesa, o Garrincha, a Galeria
A Mayrink Veiga, o Vai-da-Valsa, e hoje em dia
Rola a bola, é sola, esfola, cola, é pau a pau
E lá vem Portela que nem Marquês de Pombal
Mal, isso assim vai mal, mas viva o carnaval
Lights e sarongs, bondes, louras, King-Kongs
Meu pirão primeiro é muita marmelada
Puxa saco, cata-resto, pato, jogo-de-cabresto
E a pedalada
Quebra outro nariz, na cara do juiz
Aí, e há quem faça uma cachorrada
E fique na banheira, ou jogue pra torcida
Feliz da vida
Composição:
1) Que tal escrever uma poesia usando palavras africanas?
2) Escolha alguma dança, festa, música da diversidade cultural negra brasileira para fazer um lindo desenho.
Abaixo um vídeo de fotos com a música “Fuzuê”. Digo e repito: não é recomendável mostrá-lo antes de qualquer atividade. É como a velha história do romance em geral ser melhor do que o filme, porque poderemos ter muitas imagens na nossa cabeça ao ler um texto e escutar uma canção e um vídeo é como se congelássemos imagens que podem ser muito limitadas em relação à nossa imaginação. Eu fiz o vídeo apenas com o intuito de divulgar na internet através do Youtube:
1) Você conhece a melodia desta canção? Vc acha que a cantora está cantando a letra errada?
2) Você sabe o que é versão?
As canções populares tem várias versões, ou seja, como sua transmissão é oral, cada pessoa pode cantá-la de uma maneira, sendo que não há a certa ou errada. Neste caso do CD Desenrolando, a canção teve uma versão completa em latim.
3) Você sabia que as línguas, como as pessoas, têm família? Que têm árvore genealógica e tudo?
5) Você reconhece algum parentesco entre o latim e o português nesta canção? Em quais palavras?
Gramática:
O latim é uma língua onde é muito importante pronunciar uma palavra até o final, pois aí há uma “desinência”. A desinência é a “alma” da palavra latina. É a parte variável da palavra, através da qual é indicada a relação gramatical entre ela e outras palavras. Declinar uma palavra é recitá-la em todos os casos, tanto no singular como no plural:
Abaixo está um pequeno esquema da formação das palavras e frases em latim com a declinação da palavra insula (ilha) no singular:
- Nominativo:insul-ă – a ilha (sujeito)
Ex: Insulă pulcha est - A ilha é bela
- Genitivo:insul-ae - da ilha (adjunto adnominal)
Ex: Silvae insulae vastae sunt – As florestas da ilha são vastas
- Dativo :insul-ae – à ilha (objeto indireto)
Ex: Deus silvas insulae dedit – Deus deu florestas à ilha
- Acusativo:insul-am – a ilha (objeto direto)
Ex: Nauta insulam vastaverunt – Os marinheiros devastaram a ilha
-Vocativo:insul-ă – ó ilha (vocativo)
Ex: Insulă, pulchra es! – Ó ilha, és bela!
Ablativo:insul-ā– na ilha (adjuntos adverbiais)
Nautae in insulā sunt – Os marinheiros estão na ilha
Meu professor de latim dizia que a língua latina é tão bem estruturada, que contribui para a organização mental. Pelo raciocínio estratégico que ela desenvolve, segundo ele, Roma quase dominou o mundo. Depois de conquistar a Europa, acabou chegando à América do Sul, através dos seus “descendentes linguísticos” latinos e houve uma latinização do Ocidente. Até o inglês sofreu influência do latim na formação de 60% das suas palavras.
O alfabeto latino, derivado dos alfabetos etrusco e grego (por sua vez, derivados do alfabeto fenício) continua a ser o mais amplamente usado no mundo.
1) Procure pela sua cidade palavras ou expressões em latim em cartazes, lojas, avisos, certamente você vai encontrar muitas.
Composição:
1) Escreva uma história sobre animais utilizando seus nomes em latim.
Outras em que em português é que se acrescenta uma letra:
- louco/loco, fronteira/frontera, mais/mas
É muito divertido observar estas pequenas diferenças entre estas duas línguas.
3)Descubra mais algumas nesta canção sobre os animais migratórios.
4) Faça uma tradução desta canção para o português.
ANIMALES MIGRATORIOS
Yo y las garzas, ranas y cangrejos
Tú y yo, y las tortugas
Yo y la gente que se mueve
Que viene y que se va
Tú y yo para allá y para acá
Las golondrinas y los flamencos
Las águilas y los halcones
Los elefantes y las cebras
Las mariposas, los machos y las hembras
Refrão
Los pingüinos para procrear
Otros pájaros para el plumaje cambiar
Las grullas y los pelícanos
En el invierno o en el verano
Refrão
Los patos, cuervos y ballenas
Por alimento migran también las cigüeñas
En el otoño por el cielo o por el mar
Huyen del hambre o viajan para anidar
Refrão
Por las estrellas se guían por el sol
Vuelan al norte o quizás también al sur
Huyen del frío o del calor
O mejor, buscando su amor
Abaixo um vídeo de fotos com a música “Animales Migratorios”". Digo e repito: não é recomendável mostrá-lo antes de qualquer atividade. É como a velha história do romance em geral ser melhor do que o filme, porque poderemos ter muitas imagens na nossa cabeça ao ler um texto e escutar uma canção e um vídeo é como se congelássemos imagens que podem ser muito limitadas em relação à nossa imaginação. Eu fiz o vídeo apenas com o intuito de divulgar na internet através do Youtube:
Entre o espanhol e o português existem palavras que são chamadas de “falsas amigas”, porque são iguais, mas têm significados diferentes. Só para confundir.
“Ligar” que no Brasil se usa para “conectar aparelhos eletrônicos”, “chamar alguém pelo telefone”, “conectar uma coisa à outra”, ou “se preocupar com alguém”, em espanhol significa “namorar”. “Quedar” em espanhol significa “ficar” em português. “Esquisito”, significa algo maravilhoso em espanhol.
Quando começamos a falar um idioma é comum raciocinarmos na nossa própria língua, mantermos nosso sotaque e falarmos no nosso idioma termos que ainda não conhecemos. O “portunhol” é uma “nova língua” criada por brasileiros/portugueses recém falantes de espanhol e o contrário também, claro. É muito falado, pela estreita ligação de uma língua com a outra e pelo fato das pessoas não estudarem estas línguas por serem a princípio “fáceis”. Uma das características do “portuñol” é colocarmos final “ón” nas palavras portuguesas com final “ão”, assim coração vira corazón, avião, avión, mas no caso de tubarão, vamos nos enganar redondamente, pois tubarão é tiburón em espanhol.
O espanhol é a segunda língua mais falada no mundo ocidental, então sabendo espanhol podemos nos comunicar com colombianos, venezuelanos, peruanos, argentinos, chilenos, mexicanos, equatorianos, paraguaios, bolivianos, panamenhos, nicaragüenses, hondurenhos, guatemalenhos, gente da República Dominicana, costarriquenhos, cubanos, uruguaios e pessoas de muitos outros países.
2) Qual é a relação de parentesco entre o francês e o português?
3) Você percebe o sotaque do cantor ao contar a história em português no final?
Gramática:
O francês é uma língua onde há uma grande diferença da escrita em relação à fala. Para mim, é como se houvessem muitas letras para poucos sons, pois não são todas pronunciadas, mas em geral o conjunto delas. Eis o tritongo “eau”, que se lê “ô”. É claro, um “ô” diferente do nosso, porque há que fazer um “biquinho”, que creio ser a maior dificuldade na pronúncia do francês. Este biquinho também faz com que o ”i”, se pareça com o “u” e vice-versa.
O “s” no final das palavras quase nunca é pronunciado, se parece com o “s” que muitos, erroneamente, não dizem nos plurais no Brasil.
Mas enfim, é uma língua latina, e tem palavras que se parecem com o português, outras com o castelhano, outras com o italiano. Como numa família, um se parece com o pai, outro com o irmão, outro com a tia. Um tem os olhos do avô, a boca da mãe, o corpo do primo, etc.
O Brasil tem uma particularidade, ele absorve tudo o que vem de fora, valoriza, e de uma certa forma, transforma, abrasileirando:
Veja essa canção do Ednardo:
Anavantu anavantu anarriê
Ne pa de qua, ne pas de qua, padê burrê
Igualitê, fraternitê e libertê
Merci bocu merci bocu não há de que
Anavantu anavantu anarriê quer dizer, ir pra frente duas vezes e depois voltar para trás, como eles comandam na dança da quadrilha (que inclusive tem origem francesa)
Ne pa de qua, é o mesmo que responder “de nada”
Padê burrê, é um passo de balé
Igualité, fraternité e liberté, são as palavras do lema da revolução francesa
merci bocu, obrigado
Vejam abaixo como se escreve corretamente em francês
An avant, an avant, an arriere
ne pas de quoi ne pas de quoi
pas de bourree
égalité, fraternité e liberté,
merci beaucoup, merci beaucoup não há de que (português)
A França sempre foi ligada às artes, à cultura, à moda, dizem também que Paris é a cidade do amor. Além disso é o terceiro país europeu (depois da Inglaterra e Espanha) que mais tem colônias no mundo: África, Ásia e América. Isso fêz com que divulgasse muito sua língua.
O ballet clássico tem a sua nomenclatura toda em francês.
Há inúmeros e grandes museus em Paris, mesmo que contenham obras de culturas de outros países do mundo. Eles se apropriaram deste patrimônio mundial, por outro lado, o conservam e valorizam. Os países pobres e em desenvolvimento às vezes não têm consciência de preservação histórica e em muitos casos, é o seu próprio povo e governo que destróem tal patrimônio.
Na moda os franceses são estilistas da alta costura eprêt-à-porte (pronto para usar), e realizam grandes desfiles e lançamentos na moda.
Nas artes, participaram e influenciaram a muitos movimentos de várias lugares, épocas e gerações: renascentismo, impressionismo, expressionismo, surrealismo, cubismo, art nouveau, modernismo etc.
No cinema, além de criarem estilos (nouvelle vague, avant-garde) e produzirem clássicos, sediam importantes prêmios cinematográficos.
Por tudo isso, sua língua nos chega e fica, esponjas que somos.
É difícil traduzir a letra de uma música, já que ela tem ritmo e melodia definidos, é praticamente impossível colocar idéias e frases idênticas dentro da métrica e prosódia da canção.. O mais comum são versões. Esta canção “La haut sur la montagne” tem uma versão em português que é assim:
No alto da montanha
Bem perto lá do céu
Havia um castelinho,
Aonde um rei viveu
De lá se via o céu,
A terra ao longe,
O sol e o mar
No alto da montanha
Quem dera eu lá morar.
Aula de música
1) Atenção para o intervalo de 8ª logo no começo: la haut sur la montagne
Nos arranjos do CD, tentamos em todas as músicas reproduzir uma idéia do estilo musical e cultural de cada lugar onde são faladas as línguas. Escolhemos um estilo swing para representar a França, por ser muito comum lá usado. Também os mais importantes músicos do jazz americano fizeram carreira na França. O violinista francêsStéphane Grappelli caracterizou o estilo de jazz swing com violino na França.